Durante uma viagem de trabalho, encontrei minha ex-esposa por acaso. Depois de uma noite apaixonada, a mancha vermelha no lençol me deixou paralisado. Um mês depois… descobri uma verdade arrebatadora.

Durante uma viagem de trabalho, encontrei minha ex-esposa por acaso. Depois de uma noite apaixonada, a mancha vermelha no lençol me deixou paralisado. Um mês depois… descobri uma verdade arrebatadora.

Ainda me lembro daquela viagem de trabalho a Fortaleza como um pesadelo interminável. Se alguém me perguntasse qual foi o momento da minha vida em que senti meu coração despencar para um abismo, sem dúvida eu diria que foi naquela manhã… quando vi a mancha vermelha no lençol.

Tudo começou de maneira completamente normal.

Minha ex-esposa, Mariana, e eu estávamos divorciados havia quase três anos.

 

A empresa me enviou para avaliar um novo projeto de resort ao longo da costa do Nordeste brasileiro. Fiquei hospedado em um hotel próximo à Avenida Beira-Mar, a poucos metros da praia.

Na primeira noite, depois de terminar o trabalho, saí para caminhar um pouco para clarear a mente.

Fortaleza à noite é realmente bonita.

A brisa do mar soprava suave, trazendo aquele cheiro salgado que preenche o ar. Ao longo da avenida à beira-mar, as luzes amarelas refletiam sobre a água escura.

Havia muitos turistas passeando. Dos bares à beira da praia vinha música brasileira misturada com ritmos latinos.

Caminhei por um tempo e depois entrei em um pequeno bar.

Não era um lugar barulhento. Apenas música de violão suave, alguns casais de turistas e alguns moradores locais bebendo tranquilamente.

Pedi uma cerveja.

E naquele exato momento… eu a vi.

Mariana.

Ela estava de pé no balcão, de costas para mim.

Mas apenas ao ver sua silhueta soube imediatamente que era ela.

Meu coração deu um salto.

Fazia três anos que eu não a via.

Ela ainda usava o longo cabelo preto, preso de forma solta atrás da nuca. Seu vestido de verão azul-claro fazia com que ela parecesse familiar e, ao mesmo tempo, diferente.

Naquele momento, Mariana se virou.

Nossos olhares se encontraram.

Ambos ficamos imóveis por alguns segundos.

Então ela sorriu.

— Rafael…?

Eu também sorri, um pouco sem jeito.

— Sim… faz muito tempo.

Sentamo-nos na mesma mesa.

 

— Conheço aquele lugar.

Depois ficou em silêncio por alguns segundos.

E disse em voz baixa:

— Que tal caminharmos um pouco pela praia?

Saímos do bar.

A praia de Fortaleza à meia-noite estava relativamente tranquila. As ondas do Atlântico quebravam suavemente na areia. Ao longe, era possível ver as luzes dos hotéis iluminando a orla.

A brisa do mar movia levemente o cabelo de Mariana.

Caminhamos ao longo da água.

Quanto mais conversávamos… mais a distância entre nós desaparecia.

Sentimentos que eu acreditava estarem enterrados há muito tempo… começaram a voltar.

Olhei para ela.

Ela também me olhou.

Existem coisas que não precisam ser ditas com palavras.

Naquela noite, Mariana voltou comigo para o hotel.

Não pensei muito sobre isso.

Talvez nós dois entendêssemos que era apenas um momento de fraqueza entre duas pessoas que um dia se amaram.

Uma noite juntos…

e pela manhã cada um voltaria para sua própria vida.

Na manhã seguinte acordei bastante tarde.

A luz do sol de Fortaleza entrava pelas cortinas.

Mariana já estava acordada.

— Deve ter sido algum pequeno machucado — disse ela, com um tom leve demais.

Eu não disse nada.

Algo dentro de mim estava inquieto.

Mas também não queria transformar aquela manhã em algo constrangedor.

Ela caminhou até a cama, puxou o lençol com cuidado e disse:

— Não é nada sério. Não se preocupe.

Depois começou a se vestir.

Eu tentei agir normalmente também.

Tomamos café no restaurante do hotel.

Conversamos sobre coisas simples.

Sobre o clima.
Sobre o trabalho.

Mas havia uma tensão silenciosa entre nós.

Algo que nenhum dos dois parecia disposto a mencionar.

Antes de ir embora, Mariana me abraçou.

Foi um abraço breve.

Mas havia algo diferente nele.

Algo mais profundo.

— Foi bom te ver de novo, Rafael — disse ela.

— Também foi bom te ver.

Ela sorriu.

— Talvez o destino só quisesse nos lembrar de algumas coisas.

Demorou quase cinco minutos para ela responder.

Mas aqueles cinco minutos pareceram uma eternidade.

Então chegou outra mensagem.

“Você pode vir a Fortaleza neste fim de semana?”

Fiquei confuso.

“Por quê?”

A resposta veio logo depois.

“É importante.”

Eu fiquei olhando para a tela.

Algo dentro de mim dizia que aquilo não era uma conversa comum.

“Está tudo bem?” — perguntei.

A resposta demorou novamente.

E quando chegou, fez meu coração disparar.

“Não sei.”

Dois dias depois, eu estava novamente em Fortaleza.

Durante todo o voo minha mente girava com possibilidades.

Problemas no trabalho?

Alguma emergência?

Quando o avião pousou, ela já estava esperando do lado de fora do aeroporto.

Assim que a vi, percebi que algo estava diferente.

Mariana parecia mais cansada.

Mas também… mais nervosa.

Entramos no carro em silêncio.

Dirigimos por alguns minutos sem dizer quase nada.

Finalmente perguntei:

— Mariana… o que está acontecendo?

Ela apertou o volante.

Respirou fundo.

 

— Eu sei o que você está pensando.

Houve um longo silêncio.

Então ela disse algo que eu nunca imaginei ouvir.

— Rafael… aquela noite… foi a primeira vez.

Eu a encarei, confuso.

— Primeira vez…?

Ela respirou fundo.

Ficamos em silêncio por um longo tempo.

O vento do mar soprava pelas janelas abertas do carro.

Minha mente estava cheia de lembranças.

Dos anos que passamos juntos.

Das pequenas coisas que eu havia esquecido.

Como se o universo estivesse nos dando uma segunda chance.

Seis meses depois, eu me mudei definitivamente para Fortaleza.

Voltar para São Paulo não fazia mais sentido.

Mariana continuou trabalhando no resort.

E eu comecei a supervisionar o novo projeto da empresa na região.

Nossa vida recomeçou devagar.

Sem pressa.

Aprendendo novamente a conviver.

Desta vez com mais paciência.

Mais diálogo.

E muito menos orgulho.

Nove meses depois daquela noite inesperada…

Estávamos no hospital.

Mariana segurava minha mão com força.

— Rafael… eu vou te matar se você fizer outro filho — disse ela entre uma contração e outra.

Eu ri nervosamente.

— Combinado.

Horas depois…

O choro de um bebê encheu a sala de parto.

O médico sorriu.

— Parabéns.

— É uma menina.

Quando colocaram nossa filha nos braços de Mariana, eu senti algo que nunca havia sentido antes.

Uma felicidade tão intensa que quase doía.

Mariana me olhou.

— Rafael…

— Sim?

Ela sorriu.

— Acho que aquela mancha no lençol foi o destino nos dando uma segunda chance.

Eu olhei para nossa filha.

Depois para Mariana.

E percebi que, às vezes, a vida escreve histórias que nenhum de nós conseguiria imaginar.

Histórias que começam com erros.

Passam por separações.

E terminam com algo muito mais forte.

Família.

E naquele momento eu soube, com absoluta certeza, que aquela viagem de trabalho a Fortaleza… não tinha sido um pesadelo.

Tinha sido o começo da melhor parte da minha vida.

Related Posts