Ele voltou para casa de repente para “pegar a esposa sendo preguiçosa”, mas ficou paralisado ao ver UMA TIGELA DE ARROZ CRU sobre a mesa… e a cena aterradora no quarto…
Diego jogou o chaveiro sobre a mesa. O metal bateu no vidro com um seco “clang”.
Naquele dia ele decidiu voltar mais cedo. Não porque estivesse com saudade da esposa ou quisesse ver o filho, mas porque sua cabeça estava cheia de irritação.
Naquela mesma manhã, o plano no qual ele havia colocado todo o seu esforço foi rejeitado sem piedade por um sócio. Pressão, tensão… e principalmente uma irritação crescente toda vez que pensava na esposa.
Durante seis meses — desde que Lucia deixou o trabalho para ficar em casa depois de ter o pequeno Nico — Diego sentia que era o único carregando o peso de toda a família.
Ele saía para trabalhar todos os dias, enfrentando o calor escaldante do Rio de Janeiro, lidando com clientes difíceis e com a preocupação constante com dinheiro.
Enquanto isso, na cabeça dele, Lucia simplesmente ficava em casa com o bebê… vivendo uma vida fácil.
— O que você faz o dia inteiro em casa para estar sempre tão cansada? — ele havia perguntado na semana passada.
— Tenta ficar um dia inteiro com o bebê e você vai entender — respondeu Lucia com uma voz fraca e cansada.
— Tentar o quê? Você só precisa dar comida, embalar ele e trocar as fraldas. E quando sobra tempo, fica mexendo no celular ou assistindo novela. Que vida fácil! — Diego explodiu.
E Lucia, como sempre, ficou em silêncio.
Para Diego, aquele silêncio era praticamente uma confissão.
Naquele dia ele tinha voltado cedo exatamente para “pegá-la no flagra”.
Ele imaginava encontrá-la sentada no sofá, com o bebê nos braços, mexendo no celular ou assistindo mais um episódio interminável de alguma novela brasileira.
Mas o apartamento estava completamente silencioso.
Um silêncio inquietante.
A sala estava desarrumada de uma forma quase inacreditável. Os brinquedos de Nico estavam espalhados por todo o chão. Algumas fraldas sujas estavam enroladas e ainda não tinham sido jogadas fora.
Sobre o sofá havia uma pilha de roupas secas, ainda sem dobrar.
Diego franziu a testa.
Sua irritação cresceu imediatamente.
Preguiçosa… e ainda incapaz de manter a casa em ordem.
Ele entrou na cozinha com a intenção de pegar um copo de água do filtro.
Mas então parou.
Sobre a mesa de jantar não havia arroz quente, feijão, carne, nem nada que parecesse um almoço decente.
Havia apenas uma tigela grande.
Dentro… havia arroz.
Arroz branco.
Seco.
Sem lavar.
Sem cozinhar.
Ao lado da tigela havia uma garrafa térmica com água quente.
Diego ficou imóvel por vários segundos.
Que diabos era aquilo?
O que Lucia pretendia fazer com aquela tigela de arroz cru?
Ele não conseguia entender.
Sua mente chegou imediatamente à conclusão de sempre:
ela era preguiçosa demais até para cozinhar arroz.
A irritação acumulada durante toda a manhã explodiu dentro dele.
Ele estava prestes a chamar a esposa para começar uma discussão.
Mas então ouviu algo.
Um som muito fraco.
— Ahh… ahh…
Um gemido suave e entrecortado vinha do quarto.
O coração de Diego apertou de repente.
Ele quase correu até o quarto e empurrou a porta com força.
O quarto estava completamente escuro. As cortinas estavam fechadas para bloquear o sol forte do meio-dia no Brasil.
Um cheiro pesado atingiu seu nariz imediatamente: cheiro de remédio para febre, cheiro azedo de suor… e o cheiro de fraldas de bebê que já estavam há tempo demais sem serem trocadas.
Diego acendeu a luz rapidamente.
E no instante em que o quarto se iluminou, a cena diante de seus olhos fez todo o seu corpo ficar rígido.
A luz inundou o quarto… e Diego sentiu o ar preso no peito.
Lucia estava no chão, apoiada contra o lado da cama. Seu cabelo escuro estava colado à testa por causa do suor. Seu rosto, normalmente cheio de vida, agora estava pálido e abatido.
Em seus braços, abraçado com força contra o peito, estava o pequeno Nico.
O bebê chorava com um choro fraco, cansado, como se já não tivesse forças para chorar mais alto.
O coração de Diego deu um salto.
— Lucia! — gritou ele, correndo até ela.
Ela levantou lentamente a cabeça. Seus olhos estavam vidrados, como se tivesse passado horas lutando contra o cansaço.
— Diego… — sussurrou.
Ela tentou sorrir, mas foi apenas um gesto frágil.
Diego se ajoelhou diante dela.
Naquele momento percebeu algo que o gelou por dentro.
Lucia estava tremendo.
Sua pele ardia.
— Você está… está queimando — murmurou Diego ao tocar sua testa.
Febre alta.
Muito alta.
Lucia respirou com dificuldade.
— Nico… está com fome… — sussurrou. — Eu… eu ia fazer arroz… mas…
Sua voz se quebrou.
Diego lembrou da tigela de arroz cru na cozinha.
De repente, tudo começou a fazer sentido.
Lucia tinha tentado preparar algo para comer.
Mas seu corpo simplesmente não aguentou.
— Há quanto tempo você está assim? — perguntou Diego com a voz tremendo.
Lucia demorou alguns segundos para responder.
— Desde ontem à noite… eu acho…
Diego sentiu um nó apertar sua garganta.
— Por que você não me ligou?
Ela baixou os olhos.
— Você estava ocupado… e sempre diz que eu estou exagerando…
As palavras foram suaves.
Mas atingiram Diego como um martelo.
Durante meses ele havia repetido as mesmas coisas:
“Você só fica em casa o dia inteiro.”
“Sua vida é fácil.”
“Para de reclamar.”
Agora a realidade estava diante dele.
A casa desarrumada.
As fraldas sem jogar fora.
A roupa sem dobrar.
Não eram sinais de preguiça.
Eram sinais de uma mulher completamente exausta… e doente.
Diego pegou com cuidado o pequeno Nico.
O bebê também estava quente, mas não tanto quanto Lucia.
— Vamos para o hospital — disse Diego imediatamente.
Lucia balançou a cabeça fracamente.
— Primeiro… dá comida pra ele…
O bebê chorou novamente.
Diego sentiu uma dor estranha no peito.
Nunca tinha sentido tanta culpa.
Ele correu para a cozinha, pegou o arroz e jogou dentro de uma panela.
Suas mãos tremiam enquanto abria a torneira.
Durante anos ele tinha pensado que cozinhar era algo simples.
Agora ele nem sabia por onde começar.
Lavou o arroz desajeitadamente.
Acendeu o fogão.
O choro de Nico vinha do quarto como um alarme constante.
Quando o arroz finalmente começou a ferver, Diego voltou correndo para o quarto.
Lucia estava quase dormindo.
Ou talvez tivesse desmaiado.
— Lucia — disse suavemente.
Ela abriu os olhos com esforço.
Diego aproximou o bebê.
— Vou te levar para o hospital. Agora mesmo.
Desta vez Lucia não discutiu.
Apenas assentiu fracamente.
Diego a levantou com cuidado.
Lucia pesava muito menos do que ele lembrava.
Durante a gravidez ela tinha ganhado peso.
Mas agora… parecia frágil.
Frágil demais.
Quando saíram do apartamento, o sol do meio-dia brilhava forte sobre o Rio de Janeiro.
Diego colocou Lucia no banco de trás com Nico nos braços.
Depois dirigiu o mais rápido que pôde até o hospital.
O caminho pareceu interminável.
Cada sinal vermelho parecia uma tortura.
Cada segundo aumentava seu medo.
“Por favor… aguenta mais um pouco…”, pensava.
Quando finalmente chegaram ao hospital, os médicos agiram imediatamente.
Lucia foi levada para a emergência.
Diego ficou na sala de espera com Nico.
O bebê finalmente adormeceu.
Talvez por cansaço.
Talvez sentindo a tensão do pai.
Passaram trinta minutos.
Depois uma hora.
Depois duas.
Cada minuto era um peso enorme.
Diego andava de um lado para o outro.
Lembrando de cada discussão.
Cada palavra cruel.
Cada vez que Lucia tinha tentado explicar que estava cansada.
E ele simplesmente não tinha escutado.
Finalmente, um médico saiu da sala.
— Família de Lucia Ramírez?
Diego se levantou imediatamente.
— Sou o marido dela.
O médico o olhou com calma.
— Sua esposa tem uma infecção forte e febre muito alta. Provavelmente começou como uma infecção pós-parto que não foi tratada a tempo.
Diego sentiu o mundo parar.
— Ela… ela está em perigo?
O médico balançou a cabeça.
— Vocês chegaram a tempo. Ela vai precisar de antibióticos e descanso. Muito descanso.
Diego soltou o ar que estava segurando.
— Obrigado… muito obrigado, doutor.
— Mas tem mais uma coisa — acrescentou o médico.
Diego voltou a ficar tenso.
— Sua esposa está extremamente esgotada. O corpo dela está no limite. Ela precisa de apoio em casa.
As palavras foram suaves.
Mas Diego entendeu perfeitamente.
