Ele estava rindo junto com os nazistas na mesa no andar de baixo, enquanto quarenta crianças judias tremiam logo acima de sua cabeça no sótão… e cada riso dele era uma oração para que sobrevivessem mais uma noite.

Pão Quente, botas frias e uma risada que teve que ser espremida pelos dentes

O “Brahm” cheirava a carne assada e tabaco barato. É assim que cheira um lugar onde as pessoas querem esquecer quem se tornaram. As paredes de madeira mantinham o calor do fogão e as janelas mantinham a escuridão do toque de recolher. E quando a porta se abriu e três alemães em camadas entraram na sala, o calor diminuiu. Até as chamas nas lâmpadas parecem ter diminuído.

Bogdan levitsky levantou-se tão rápido que esperou por eles de manhã e ensaiou o dia todo.

“Senhores oficiais”, disse ele com aquela entonação carinhosa, quase alegre, que odiava em si mesmo. Hoje temos sopa fresca e a melhor vodka da maçã.

Ele sorriu. Não com os olhos. Apenas os lábios.

Porque seus olhos estavam ocupados por outro: contavam. Um. Dois. Três. Todos com armas. Um é jovem, afiado, com um olhar que não sabia empatizar. O segundo é o mais velho, cansado, mas estes são os mais perigosos-eles matam sem emoção. O terceiro é um intérprete, um local, com um casaco cinza, com uma mandíbula pesada e mãos que não conheciam o trabalho honesto.

Aquele intérprete sorriu para Bogdan como uma pessoa que reconheceu a sua.

“Levitsky”, ele disse sem perguntar. – Dizem que te tornaste muito forte… útil.

Bogdan assentiu como se fosse um elogio. Como se a palavra “útil”não significasse”viver à custa de corpos alheios”.

Ele os levou para a melhor mesa, logo abaixo da escotilha que levava ao sótão.

Acima de suas cabeças, no escuro, estavam crianças.

Quarenta.

Irina os considerou da mesma forma que Bogdan oficiais. Ele se sentou no canto do sótão, onde o teto era o mais baixo, e manteve o dedo perto dos lábios. “Shh”, dizia seu gesto a cada dia, a cada hora, a cada nervo.

As crianças se amontoavam, envoltas em cobertores e Casacos velhos. Alguém apertou um botão no punho, alguém um pedaço de fio, alguém um brinquedo de madeira sem pintura. O menor, Leibchik, mal respirava com o nariz: seu nariz estava entupido e Irina temia mais do que qualquer coisa no mundo por um som-um espirro.

O chão abaixo deles era fino, mas não o suficiente para pular os passos. Mas ela perdeu votos. Perdi o riso. Eu pulei o som dos copos.

Irina ouviu Bogdan rir.

Seu coração não se acalmou dessa risada. Quebrou. Porque ela sabia: toda risada dele não é diversão. É uma barreira. É uma parede. É uma máscara falsa que tem quarenta vidas.

Na parte inferior, o Tradutor, seu nome era Miroslav lojista, falou em voz alta, com prazer. Ele disse aos policiais quem era” confiável “e quem era”suspeito”. Ele derramou seus nomes tão facilmente quanto se jogasse pedras no Rio.

-Você está aqui-disse o jovem oficial, olhando para a sala, – muito calmo. É como se alguém estivesse se escondendo.

Bogdan levantou uma bebida.

– Calma, porque as pessoas estão famintas e cansadas, Tenente. Quando o cansaço é maior que o medo, fala-se menos.

Ele sorriu novamente. E no mesmo segundo, acima, a pequena Sarah de repente soluçou, brevemente, como um pássaro tropeçando no ar.

Irina rapidamente cobriu a boca com a palma da mão e pressionou a garota contra ela, sentindo que todo o corpo de Sarah estava tremendo. A criança não chorava por caprichos. Chorava porque se lembrava de sua mãe. E a memória, quando você é criança, sempre vem na hora errada.

Lá embaixo, o tenente levantou a cabeça bruscamente.

– O que foi isso?

Bogdan não tinha direito a uma pausa. Uma pausa mataria a todos.

Ele riu mais alto. Em voz alta. Um pouco demais. E, rindo, virou o prato.

A sopa foi derramada no chão. O cheiro subiu instantaneamente, quente e afiado. Os oficiais recuaram. Miroslav se contorceu como de indecência.

– Desculpa! – Bogdan se inclinou, começou a limpar, reclamou, falou rapidamente. – Sucede isso acontece quando as mãos não descansam do trabalho!

O município de ST.

– Mas diligente”, interveio o oficial maior, que até então tinha permanecido em silêncio. Ele olhou para Bogdan mais do que o necessário. – Alguma vez foste actor?

Bogdan sentiu seus lábios grudarem.

“Algum dia”, disse ele.

“Daí essa risada”, disse o oficial sênior mal apertando os olhos. – Tens … teatral.

Bogdan se forçou a não empalidecer.

– É por medo, Senhor oficial. Não tenho Outras ferramentas.

O velho sorriu como as pessoas que amam o poder sorriem.

O medo é uma boa ferramenta. Isso faz as pessoas serem honestas.

Bogdan continuou limpando o chão, e tudo estava queimando dentro dele: “não se levante. Não olhes para o Luke. Não respire forte”.

No andar de cima, Irina estava segurando Sarah sussurrando em seu cabelo:

– És forte. És incrível. Vamos sobreviver. Só agora … chis.

Sarah assentiu, engolindo lágrimas, e seus olhos eram tão adultos que Irina queria gritar.

Quando o jantar continuou, Miroslav de repente se levantou e, a propósito, se aproximou da parede sob a escotilha. Levantou a cabeça. Ele bateu na madeira com o dedo.

– O que há aqui?

Bogdan sentiu suas pernas serem removidas.

“O armazém”, disse ele.

– Armazém? Miroslav-Estranhamente. Ouvi dizer que sempre há algo melhor na porta do que o mostrado.

O tenente levantou-se bruscamente.

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