Quando Lucas me fez essa pergunta, eu senti todos os olhares da platéia correndo para mim.

Quando Lucas me fez essa pergunta, eu senti todos os olhares da platéia correndo para mim. Não só convidados do nosso lado, mas também da família deles. Como se todos estivessem à espera da minha reacção.

Fiz-me sorrir.

– Ela … Linda-disse, escolhendo cuidadosamente as palavras.

Lucas sorriu e foi embora. Foi fácil para ele. Era o dia dele, ele estava apaixonado e nada mais importava.

Para mim, no entanto, a noite estava apenas começando.

As conversas nas mesas não eram naturais. As pessoas tentaram ser educadas, mas a tensão foi sentida no ar. Vi minhas amigas trocarem olhares, meus parentes se inclinarem e sussurrarem. Ninguém queria dizer isso em voz alta, mas todos pensavam a mesma coisa.

Depois de algum tempo, a mãe da noiva, clara, aproximou-se da nossa mesa com um copo de vinho na mão.

– Espero que vocês se divirtam-disse ela com um grande sorriso.

– Claro-respondi. – é um grande dia.

Os jovens precisam ser eles mesmos, não é mesmo? – acrescentou, olhando para Elisa. – Vivemos no nosso tempo.

Eu acenei com a cabeça, embora sentisse cada vez mais pressão por dentro. Não se tratava de modernidade ou de visões antiquadas. Era uma questão de respeito. Sobre o contexto. Que tal evento não diz respeito apenas a você, mas também às pessoas ao seu redor.

Mais tarde, quando a música ficou mais alta, notei que o pai da noiva dançava despreocupadamente — usando os mesmos sapatos esportivos. Alguns riram, outros baixaram os olhos. Sentei-me ereta, com as mãos no colo, tentando manter a calma.

A certa altura, a Elise veio ter comigo.

– Espero que você não esteja com raiva de mim – disse ela. – Eu sou. Gosto da Liberdade.

Olhei para ela. Ela era jovem, bonita e confiante. Ela não parecia uma pessoa má. Simplesmente … outro.

– Não estou com raiva-respondi honestamente. – viemos de mundos diferentes.

Ela acenou com a cabeça, embora eu não tivesse certeza se ela realmente entendesse.

Finalmente a noite chegou ao fim. Cheguei em casa cansada, com um sentimento amargo dentro de mim. Nos dias seguintes, telefones, mensagens e comentários “gentis” apareceram. Alguns simpatizavam comigo, outros diziam que eu estava exagerando.

Mas a verdade é que o vestido não me magoou. Sem sapatos. Ou um fato de treino.

Fiquei magoado Que ninguém pensasse em como eu me sentiria. Que meus esforços, meu desejo de que tudo fosse bonito e digno, fossem percebidos como insignificantes.

Alguns dias depois, convidei Lucas para tomar um café.

– Estás feliz? – perguntei-lhe diretamente.

– Sim, mãe. Muito.

Respirei.

– Então é isso que importa. Mas quero que saibas uma coisa. Felicidade não é apenas fazer o que você quer. Também leva em conta os sentimentos daqueles que te amam.

Ele ouviu em silêncio. Não sei quanto disso ele percebeu.

Hoje, olhando para trás, vejo que aquele momento foi uma lição. Para mim, é sobre aceitação. Para ele-espero-de responsabilidade.

Não sei o que o futuro nos reserva. Mas uma coisa eu sei: respeito não é uma questão de moda. Não é uma questão de geração. É uma questão de escolha.

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