Elsa olhou para cima quando ouviu os passos de Lucas no corredor. A porta se fechou silenciosamente, e o som das chaves colocadas na cômoda quebrou o silêncio da cozinha.

Elsa olhou para cima quando ouviu os passos de Lucas no corredor. A porta se fechou silenciosamente, e o som das chaves colocadas na cômoda quebrou o silêncio da cozinha. Lucas tirou o casaco, olhou para ela e sorriu cansado.

– Hoje você voltou mais cedo-disse ele, tentando parecer à vontade.

Elsa não respondeu imediatamente. Ela colocou a tela do telefone sobre a mesa e juntou as mãos. No interior, havia uma mistura de satisfação, fadiga e uma irritação há muito reprimida que ela havia ignorado por muito tempo.

– Eu ganhei o prêmio – disse ela, finalmente, calma, mas firmemente.

A cara do Lucas iluminou-se.

– A sério? Boas notícias! Vai ser útil agora, antes do Natal.

Era essa a reação que ela esperava. Elsa respirou fundo.

– É o meu prémio, Lucas. O meu dinheiro. E eu não quero que eles sejam gastos em presentes para pessoas que nem sequer me deram os parabéns.

Lucas piscou de surpresa.

– Estás a falar da minha família?

– Estou falando de todos – respondeu ela. – O seu, o Meu, a obrigação automática de gastar dinheiro só porque é “necessário”.

O Lucas sentou-se à frente dela.

– Não é apenas um dever. É Natal. Família, tradição…

– Tradição? – a Elsa interrompeu-o. – Aquela em que eu trabalho até a exaustão e meu dinheiro de repente se torna “nosso” Quando você tem que gastá-lo?

As palavras pairavam entre eles. Lucas desviou os olhos. Ele nunca tinha pensado nisso antes. Para ele, tudo era simples: eles eram uma equipe, tudo era comum. Ele não percebeu o quanto estava crescendo em seu silêncio.

– Eu não queria que você se sentisse assim-ele disse em silêncio.

– Eu sei. Mas isso não muda os fatos-disse Elsa. – Estou cansada de ceder.

Houve um longo silêncio. Fora da janela, As luzes da cidade piscavam silenciosamente, como se nada tivesse acontecido.

– O que queres fazer? perguntou Lucas.

Elsa levantou a cabeça. Não havia raiva em seus olhos, havia uma decisão.

– Quero sair por uma semana. Um. No mar. Dormir, ler, não explicar a ninguém.

Lucas não falou. Esse pensamento o assustava, mas ao mesmo tempo ele o entendia.

– E nós? – ele perguntou em silêncio.

“Vamos ficar aqui se ambos quisermos”, disse Elsa. Mas não quando um de nós se perde no caminho.

Naquela noite, eles não falavam mais sobre presentes, cartas ou orçamento. Eles falavam sobre coisas que haviam evitado até agora: cansaço, expectativas, medo de não serem suficientes.

Alguns dias depois, Elsa comprou um bilhete. Não foi uma fuga. Foi uma escolha. Quando ela fechou o laptop, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu não apenas alívio, mas também clareza de pensamento.

Às vezes, o lucro real não é o valor que vai para a conta, mas a coragem de finalmente dizer: “agora é a minha vez”.

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