PECUARISTA JUSTICEIRO” DO MATO GROSSO: JOÃO BATISTA ELIMINOU MAIS DE 15 LADRÕES DE GADO

PECUARISTA JUSTICEIRO” DO MATO GROSSO: JOÃO BATISTA ELIMINOU MAIS DE 15 LADRÕES DE GADO

O sol do Mato Grosso batia nos 15 corpos espalhados pela terra vermelha quando a polícia chegou. João Batista estava sentado à sombra de uma árvore, a espingarda apoiado no joelho, as botas sujas de poeira e sangue. Os polícias desceram das viaturas lentamente, mãos nas armas, sem saber se o velho de 71 anos era vítima ou algóz.

O João levantou os olhos cansados ​​e disse apenas: “Roubaram a minha exploração durante 20 anos. Mataram o meu neto, acabei com todos. 15 homens mortos, 15 ladrões de gado que tinham transformou a sua vida num inferno e que há trs meses tinham ido longe demais. pecuarista justiceiro do Mato Grosso.

João Batista eliminou mais de 15 ladrões de gado. João Batista Silva nasceu em 1953, filho de retirantes nordestinos que vieram para o Mato Grosso fugindo da seca. O pai Severino, arranjou trabalho numa grande quinta perto de Barra do Garças. morreu cedo aos 48 anos de malária. A mãe, dona Zefa, criou o João e os quatro irmãos lavando roupa para os fazendeiros.

João começou a trabalhar aos 9 anos. Carregava água, limpava currais, ajudava onde necessitasse. Aos 15 era peão de quinta. Aos 20 já era vaqueiro respeitado. Sabia domar cavalo bravo, laçar boi no campo aberto, curar bicheira, fazer o parto de uma vaca. Era bom naquilo que fazia. Casou aos 25 com Marlene, rapariga da região. Tiveram cinco filhos.

Três morreram pequenos. Doença, falta de médico, dura vida do interior. Sobreviveram-lhe dois, João Filho e Maria. João Filho cresceu a ajudar o pai. Maria casou cedo, foi-se embora para a cidade. Aos 40 anos, o João conseguiu o impossível. Juntou dinheiro suficiente para comprar terra própria.

50 hectares de solo duro, mas era dele. Construiu casa de tábua, cercou o terreno com arame farpado velho. Comprou 10 vacas magras. Era pouco, mas era começo. Trabalhou feito condenado. Acordava às 4 da manhã, dormia às 10 da noite. Todos os dias, todo ano. A quinta foi crescendo. Aos 50 tinha 100 haar, aos 60, 200, 300 cabeças de gado. Não era rico, mas vivia bem.

Tinha a casa de alvenaria, carrinha velho, frigorífico, TV. João Filho casou, teve um filho chamado Gabriel. O menino era a luz dos olhos de João Batista. Levava o neto para o campo, ensinava sobre gado, sobre a terra, sobre a vida. Gabriel tinha 15 anos e já era bom vaqueiro. Queria seguir o caminho do avô e do pai.

Mas o Mato Grosso mudou. A região virou rota de contrabando. Fronteira com Bolívia perto, fraca fiscalização, polícia corrupta. Surgiram quadrilhas especializadas no roubo de gado. Não eram ladrões comuns, eram organizados, armados, violentos. O João perdeu gado pela primeira vez aos 65 anos. Acordou e faltavam 20 cabeças.

Chamou a polícia, fizeram um boletim. Nunca mais se falou no assunto. 6 meses depois, perdeu mais 15. Ano seguinte, 30. Sempre de madrugada, sempre bem planeado. Outros agricultores da região sofriam igual. Alguns desistiram, venderam tudo, foram-se embora. Outros se organizaram, fizeram um grupo de vigilância, contrataram segurança.

João não tinha dinheiro para isso. Confiava na cerca, nos cães, na sorte. A sorte acabou numa noite de junho. João estava em Barra do Garças. tinha ido buscar medicamentos para Marlene, que estava doente. João Filho ficou a cuidar da quinta. O Gabriel estava com ele. Era meia-noite quando os ladrões chegaram. 10 homens armados, três camiões arrombaram o portão, entraram aos tiros.

João Filho tentou reagir, pegou no espingarda velha, não teve hipótese. Os ladrões tinham espingarda. O Gabriel viu o pai cair, tentou correr. Um dos ladrões o perseguiu. O rapaz tinha 15 anos, era rápido, conhecia cada canto da quinta. Quase conseguiu chegar à mata. Quase. O tiro apanhou nas costas.

Gabriel caiu na terra vermelha, a mesma terra que o avô tinha trabalhado toda a vida para conquistar. morreu ali sozinho, no escuro. Os ladrões levaram 50 cabeças de gado, as melhores, as mais gordas. Deixaram João Filho e Gabriel mortos no pasto. Foram-se embora a rir, buzinando. Foi um vizinho que encontrou os corpos de manhã cedo. Ligou ao João.

Quando ele atendeu e ouviu as palavras, o mundo parou. largou o telefone, entrou na carrinha de caixa aberta, conduziu 180 km em 2 horas, quase bateu três vezes, não se lembra de como chegou. Quando viu os corpos, João Batista caiu de joelhos. Não chorou, não gritou, ficou ali a olhar para o filho e para o neto, e algo dentro dele morreu também.

A parte que acreditava na justiça, na lei, na civilização. A Marlene chegou com a Maria. As mulheres choraram, gritaram, atiraram-se sobre os corpos. O João continuou parado, olhos vidrados, mandíbula bloqueada. A polícia veio. Delegado campos, 50 e poucos anos, barriga de cerveja. Já tinha visto cenas assim dezenas de vezes.

Fez as perguntas de Prash. prometeu investigar. João sabia que era mentira. Delegado, o Senhor vai prender estes homens. Vamos fazer o possível, senhor João. O possível não serve. Quero justiça. A justiça vai ser feita dentro da lei. E se a lei não funciona? O delegado não respondeu. Não tinha resposta.

Enterraram pai e filho juntos no cemitério de Barra do Garças. João Batista ficou em frente das covas até todos irem embora. Quando estava sozinho, ajoelhou. Filho Gabriel, I prometo. Prometo que cada um que fez que vai pagar. Não sei como, mas vão pagar. Voltou para a fazenda. Marlene estava destruída, de cama, tomando medicamento controlado.

A Maria ficou uns dias ajudando, mas tinha família na cidade, precisou de voltar. O João ficou sozinho na quinta, rodeado de memórias e raiva. Começou a investigar, foi em tascas, pagou cachaça paraa gente que sabia das coisas. Descobriu que a quadrilha tinha base numa quinta abandonada perto da divisa.

15 homens liderados por um tal de mineiro, ex-presidiário, que tinha matou seis pessoas. O João anotou cada informação, cada nome, cada cara, cada detalhe. vendia gado, juntou 15.000$, foi em Cuiabá, procurou pessoas que vendiam arma ilegal. Comprou a espingarda de caça, calibre por 308, mira telescópica. Comprou também munições, muita munição.

Tinha 71 anos. A vista já não era a mesma, as mãos tremiam um pouco, mas a a raiva compensava qualquer deficiência. praticou disparando latas no meio do nada, ajustou a pontaria, aprendeu a respirar corretamente, a apertar o gatilho suave, estudou a rotina dos ladrões, descobriu que operavam sempre de madrugada, levavam o gado para a fazenda abandonada, depois vendiam na Bolívia, nunca iam todos juntos.

Vinham em grupos de três, quatro, cinco homens. Passou semanas só a observar de longe. Anotava horários, quantos vinham, que carros usavam. Era metódico. 71 anos ensinaram que a pressa leva erro fatal. Você precisa assistir a esta história até ao final para ver o que acontece ao João. A primeira oportunidade surgiu numa terça-feira.

Três ladrões chegaram com gado. O João estava escondido a 200 m, espingarda apoiada. Tinha chegado 4 horas antes, aguardando o imóvel. Quando os homens começaram a descarregar, o João apontou. Pensou em Gabriel a cair. Pensou em João Filho tentando proteger o filho. Apertou o gatilho. O tiro ecoou. Um homem caiu.

Os outros dois olharam em redor. O João já visou o segundo. Atirou, acertou no peito. O homem desabou. O terceiro correu para o camião. O João disparou, pegou na perna. O homem caiu. O João caminhou até ele. O ladrão era jovem. Você tava lá na quinta do Silva? Não sei do que é que tá a falar. Não mente.

Vocês mataram o meu filho e neto. O homem compreendeu. Eu só dirigi. Não matei ninguém. Mas estava lá. Sabia o que iam fazer e viu tudo. O João disparou. Tr de 15. Regressou antes do amanhecer. guardou a espingarda, tomou banho completo, mudou de roupa. Marlene ainda dormia, sedada pelos remédios fortes. O João fez café devagar, sentou-se na varanda esperando clarear.

A notícia dos três mortos apareceu no dia seguinte no jornal local. A polícia especulou a guerra entre quadrilhas rivais. Ninguém imaginou um agricultor de 71 anos sozinho. O João esperou duas semanas antes do próximo ataque. Não podia criar padrão previsível. Tinha de ser imprevisível sempre. Os ladrões precisavam de se sentir seguros antes de baixar de novo a guarda.

O segundo ataque foi diferente. Quatro homens dessa vez. O João tinha preparado algo especial. Explosivo improvisado, feito com adubo e combustível. aprendeu a ver vídeos, colocou perto do portão, esperou que eles chegassem. Quando estavam lá dentro, detonou. A explosão foi tremenda. Dois homens morreram no local. Os outros saíram a correr, feridos, sangrando.

João esperava-os com o rifle pronto. Primeiro tiro. Acertou um no peito. Segundo tiro, apanhou o outro na cabeça. Sete em 15 mortos. A quadrilha entrou em alerta. Sabiam que alguém estava a caçar, mudaram de base, ficaram cuidadosos, mas o João era muito paciente ali. Tempo sobrava. O funeral de Gabriel foi no domingo.

Caixão pequeno, branco, flores que a vizinhança toda juntou dinheiro para comprar. A igreja da Barra do Garças esteve lotada. Gente que conhecia a família, gente que nem conhecia, mas foi por solidariedade. Toda a gente sabia da história. Menino de 12 anos. morto por ladrão de gado, mais uma vítima da violência que dominava o interior.

O João não chorou no funeral, ficou de pé, junto do caixão, o rosto de pedra, os olhos secos, mas com algo a arder lá no fundo. A Clara estava destroçada. Precisaram de amparar ela várias vezes. Valdecir tinha os olhos inchados, a voz rouca de tanto chorar. Quando desceram o caixão, João se ajoelhou-se à beira da cova, colocou a mão na terra vermelha, apertou um punhado dela.

Eu prometo, Gabriel, cada um que estava lá nessa noite vai pagar. Não importa quanto tempo demore, o seu avô vai fazer justiça. Levantou-se e foi-se embora. Não esperou pelo fim da cerimónia, não falou com ninguém, subiu para a carrinha velha e conduziu de volta para a fazenda. Nos dias seguintes, o João mudou. Clara e Valdecir perceberam.

O pai, que sempre foi um homem de poucas palavras, mas de presença calorosa, se tornara sombra. Falava apenas o necessário, comia pouco, passava horas a limpar e a verificar o espingarda. Começou a investigar sozinho. Foi nos bares da cidade, locais que sabia que os marginais frequentavam. pagava cachaça, ouvia conversa, fez amizade com O Zé Pereira, velho bêbado, que conhecia meio mundo do crime porque tinha sido vigia de bordel toda a vida.

Zé, preciso de informação sobre os ladrões de gado que aqui operam. Para que isso, João? Deixa para a polícia. A polícia não não vai fazer nada e você sabe disso. Zé suspirou, pediu mais uma dose. João pagou. Há uma grande quadrilha, uns 20 homens. O chefe é o mineiro, vem de Minas Gerais, está aqui há uns cinco anos, violento que só já matou mais pessoas que conseguimos contar.

Onde eu acho ele, João, por amor de Deus, tens 71 anos. Onde o encontro? A voz saiu tão dura que o Zé se encolheu. Eles usam um barracão abandonado perto da fronteira com Goiás. guardam o gado ali roubado antes de revender. Mas João, são 20 homens armados, não tem hipótese. 20 não, vai ser menos, muito menos.

O João saiu, foi numa loja de materiais de construção, comprou arame farpado, pregos, corrente. Depois foi num conhecido que vendia arma ilegal. Comprou munições, muita munição. Gastou tudo o que tinha guardado, 4.000 R$. Passou duas semanas a vigiar o barracão. Aprendeu a rotina. Os ladrões não vinham todos juntos.

Vinham em grupos de três, quatro, cinco. Deixavam o gado, iam embora, voltavam depois para levar para o Goiás. João planeou com calma, 71 anos, mas tinha aprendido a caçar onças quando jovem. sabia rastrear, sabia esperar, sabia disparar e agora tinha motivação que compensava qualquer idade. O primeiro ataque foi numa terça-feira de madrugada.

Três ladrões tinham chegado com gado roubado. Estavam a descarregar, a conversar, relaxados. João estava escondido num barranco a 150 m, espingarda apoiada em pedra, mira ajustada. Respirou fundo, como o pai tinha ensinado há décadas. Mirou no primeiro, premiu o gatilho, o tiro ecoou pelo cerrado. O homem caiu.

Os outros dois assustaram-se, olharam ao redor. O João já tinha recarregado. Mirou o segundo, disparou, atingiu o pescoço, caiu a gargarejar sangue. O terceiro correu para o camião. O João disparou, acertou nas costas. O homem tropeçou. caiu, tentou arrastar-se. O João desceu do barranco, caminhou até ele.

O homem olhou para cima, viu o velho a aproximando. Por favor, eu tenho um filho. O meu neto tinha 12 anos. Vocês mataram ele. Eu não estava lá, juro. Mas faz parte da mesma quadrilha, mesma gente, mesmo sangue nas mãos. Atirou. Três de 20. Regressou à quinta antes do sol nascer. Enterrou a roupa suja de terra no pasto, tomou banho, fez café.

A Clara ligou, perguntando se estava bem. Disse que sim, que era só tristeza. A notícia dos três mortos saiu no dia seguinte. Polícia investigou. Não tinha câmara, não tinha testemunha. Concluíram que foi luta entre quadrilhas rivais, mas a A quadrilha do mineiro começou a desconfiar. Três homens mortos, todos da mesma operação. Ficaram mais alertas.

O João esperou três semanas. Paciência de caçador. Quando regressaram, eram quatro desta vez, mais armados, mais cuidadosos. Mas o João tinha preparado melhor também. Tinha cavado buracos no caminho que eles usavam, coberto com ramos, armadilha velha, mas eficaz. O primeiro camião caiu no buraco. Eixo partiu.

Os quatro desceram a praguejar. O João disparou da mata. Primeiro tiro acertou um no peito. Os outros três atiraram-se atrás do camião. Começaram a disparar de volta, mas não sabiam onde estava o João. As balas atingiam árvore, terra, nada. João mudou de posição, circulou por trás, disparou de novo, atingiu outro nas costas.

Os dois últimos entraram em pânico, tentaram correr. O João disparou, atingiu a perna de um. O último conseguiu chegar à mata. João o perseguiu. Seguiu o rasto, os ramos quebrados, as pegadas na terra mole. Encontrou-o escondido num buraco de tatu tremendo. Sai daí. O homem saiu com as mãos levantadas. Era jovem, não devia ter 25 anos.

Não me mates, velho. Eu dou o dinheiro que vocês quiserem. Não quero dinheiro, quero justiça. Vocês mataram o meu neto Gabriel, 12 anos. Eu não fiz isso. Não fui eu. O João reconheceu o rosto. Tinha visto ele nessa noite, à luz do camião, por um segundo antes de tudo tornar-se caos.

Você estava lá, mas não fui eu que disparou. Não importa. Atirou. 7 de 20.º A quadrilha entrou em pânico total. Sete mortos em poucas semanas. O mineiro reuniu os 13 que sobravam, fez uma reunião de emergência numa quinta abandonada. O João descobriu através do Zé Pereira que tinha ouvido conversa num bar. vão se reunir amanhã à noite.

Todos estão com medo. Querem decidir se continuam ou se vão embora da região. O João agradeceu. Deu R$ 200 ao velho. O João chegou à quinta abandonada duas horas antes deles. Conhecia o local. Tinha passado ali muitas vezes quando mais novo. Era propriedade velha, falida, que ninguém quis comprar. Casa a cair aos pedaços, barracão de madeira podre, pasto tomado por mato. Estudou o terreno.

Tinha só uma boa entrada, estrada de terra batida estreita. O barracão ficava no meio, a cerca de arame caído por todo o lado. O João teve uma ideia. Ideia perigosa, mas que podia funcionar. apanhou galões de gasolina que tinha trazido, cinco galões de 20 L cada, despejou em redor do barracão, nas madeiras velhas e secas, à porta, nas laterais. O cheiro forte invadiu o ar.

Depois pegou em dinamite artesanal que tinha preparado em casa, adubo e gasóleo, receita que aprendera na internet. colocou nos pontos estratégicos, se escondido no mato a 200 m, espingarda carregado, binóculo velho na mão, esperou. Os carros começaram a chegar perto das 8 da noite. Três carrinhas, todas com vidro fumet.

13 homens desceram. O João contou cada um. Estavam armados, tensos, a olhar para os lados. Entraram no barracão. O João esperou mais 15 minutos. Queria ter a certeza que estavam todos dentro. Ouvia as vozes, a discussão. Um gritava que tinham de ir embora. Outro dizia que não podiam abandonar o território.

O João acendeu o isqueiro, olhou para o céu escuro do Mato Grosso, pensou em Gabriel, naquele sorriso, naqueles olhos vivos que nunca mais ia ver. Isto é por ti, meu neto. Atirou o isqueiro. O fogo subiu rápido demais. A gasolina tornou-se um inferno. As chamas lambiram as paredes velhas, consumiram tudo.

Dentro do armazém, os gritos começaram. Perceberam tarde demais o que estava a acontecer. A porta estava bloqueada por corrente que João tinha colocado. Tentaram arrombar, pontapearam, dispararam na fechadura, conseguiram abrir quando o fogo já dominava metade do barracão. Saíram correndo, uns em chamas, outros torcindo fumo preto.

João detonou a dinamite. A explosão foi violenta. Parte do barracão desabou. Três homens foram atingidos. Morreram no local. Os outros 10 correram em pânico, dispersaram-se pelo pasto. O João pegou na espingarda, começou a atirar. Um, dois, três. Caíram. Os outros ripostaram, mas estavam confusos, assustados.

Não conseguiam ver de onde vinham os tiros. Quatro, cinco, seis, sobraram quatro. Correram para a mata. O João desceu do monte, foi atrás. Não era mais jovem. O coração batia descompassado, a respiração pesada, mas continuou. Tinha de terminar. Encontrou o primeiro escondendo-se atrás de cupinzeiro. Atirou 10 em 20. O segundo tentou emboscá-lo.

Saltou de trás de árvore com faca. O João era velho, mas era rápido ainda. Desviou-se, acertou a coronhada da espingarda no rosto do homem. Nariz partiu com estalo. O homem caiu. O João disparou. 11 de 20. Procurou os outros dois durante uma hora. A mata estava escura, apenas a lua crescente, iluminando pouco.

Estava prestes a desistir quando ouviu o barulho. Galho a quebrar, vozes baixas. Seguiu o som, encontrou os dois juntos, tentando chegar a uma das carrinhas que não tinha pegado fogo. Um deles era o mineiro. João reconheceu pela descrição. Alto, forte, cicatriz no rosto, olhos frios de assassino profissional. Parem aí. Os dois se viraram. O mineiro sacou da arma, disparou.

O João atirou-se para trás de uma árvore. As balas acertaram na madeira. Estilhaços voaram. João contou os tiros. Seis. O mineiro tinha pistola comum, carregador de seis balas. Acabou a sua munição! Gritou o João. Silêncio. Depois o mineiro falou: “Vozca, zangada, quem és tu, velho? Por que está a fazer isso? O meu nome é João Batista.

Vocês invadiram a minha quinta há dois meses. Mataram o meu neto Gabriel, 12 anos. Outro silêncio. Então o mineiro riu-se. Riu alto, sem humor. Aquele miúdo foi só um acidente velho. Estava no lugar errado. A raiva que João sentiu foi física. Queimou no peito, subiu pela garganta, saiu da cobertura, disparou, atingiu o outro homem que estava com o mineiro. 12 de 20.

O mineiro correu. O João correu atrás. 71 anos. Cansado, magoado, mas movido pelo ódio puro, alcançou o mineiro perto da caminhonete. O homem virou-se, tentou socar. O João desviou-se, bateu com a espingarda. O mineiro caiu. O João colocou o cano do espingarda na testa dele. Acidente! O meu neto morreu nos meus braços. Tinha 12 anos.

Vai matar-me, então? Vai virar como eu? Não, nunca vou ser igual a ti, porque eu estou a fazer justiça. Você só espalhou dor. Justiça? O mineiro cuspiu sangue. Acha que isso é justiça? Matou 12 pessoas, 12 assassinos, 12 parasitas e agora vou fazer 13. A polícia vai apanhar-te, vão prender-te, vai morrer na cadeia.

Não me importo. Já morri quando o Gabriel morreu. Isto aqui é só o corpo a terminar o trabalho. Apertou o gatilho. 13:20. O João ficou ali parado por um tempo, olhando para o corpo. Estava acabado, 13 dos 20. Faltavam sete, mas estava exausto. O corpo doía-lhe todo. A cabeça rodopiava, o coração batia irregular. sentou-se no chão, encostou-se a uma árvore, pegou no telemóvel, ligou paraa Clara.

Related Posts