pate2: o silêncio que se seguiu parecia demasiado pesado para caber no interior da Igreja.
Mas eu já não pertencia lá.
Nem as pessoas que lá estavam.
Nem no passado insistiram em usar contra mim.
Quando Alejandro entrelaçou os dedos nos meus e me levou para fora, senti algo que nunca tinha sentido naquela família.
Leveza.
Lá fora, o ar frio tocou meu rosto como um despertar.
As portas da Igreja fecharam — se atrás de nós com um som seco-como se selassem definitivamente tudo o que havia sido deixado para trás.
Mas antes que eu pudesse dar outro passo…
– Camilla!
A voz veio apressadamente.
Tenso.
Quase desesperado.
Parei.
Lentamente, virei-me.
Veronica estava lá, a poucos metros de distância.
Sem aquele sorriso perfeito.
Sem essa postura impecável.
Cabelo ligeiramente desgrenhado.
Os olhos inquietos.
Ela nunca tinha corrido atrás de mim antes.
Nunca.
“Espere”, disse ela, aproximando — se – ” isso… isto não pode acabar assim.
O Alejandro não me largou a mão.
Mas seu olhar mudou ligeiramente.
Frio.
Cuidado.
Como se ele já soubesse exatamente o que estava por vir.
Acabei de a observar.
– O que mais ainda tem de ser dito?
Veronica engoliu com força.
Ele olhou em volta, percebendo que algumas pessoas haviam parado para assistir à cena.
Testemunhas.
Ela odiava.
— Há coisas que você não sabe”, disse ela, inferior, ” coisas sobre seu avô… sobre esta família.
Não me mexi.
– Então diz.
Ela hesitou.
Pela primeira vez, ele realmente hesitou.
– O testamento… — sua voz vacilou por um instante-ainda não foi lida completamente.
O meu coração abrandou.
Não por ansiedade.
Mas para reconhecimento.
Claro.
Eu sabia.
Eu sabia que ele não teria deixado as coisas a meio caminho.
Alejandro apertou levemente minha mão, como se confirmasse o mesmo pensamento.
– O advogado chamará todos amanhã-continuou Veronica-E… também foram incluídos.
Um murmúrio percorreu os poucos que ainda estavam por perto.
Incluído.
A palavra parecia pesada demais para ela pronunciar.
Baixei a cabeça.
– Isso é interessante.
Veronica deu um passo mais perto.
– Camila… – ela disse, e desta vez não havia veneno — o que quer que esteja escrito lá… continua a dizer respeito a esta família.
Eu sorri.
Mas não como antes.
Agora era diferente.
Agora havia certeza.
– Não, – respondi baixinho – – diz respeito ao meu avô.
Ela ficou em silêncio.
Não há resposta.
Sem controlo.
E isso … era novo.
Virei-me outra vez.
“Vamos lá”, disse Alejandro.
Entramos no Rolls-Royce.
A porta fechou-se com um som suave, isolando completamente o caos lá fora.
O condutor foi-se embora.
E pela primeira vez em muitos anos…
Não senti que estava a fugir.
Estava a caminhar para alguma coisa.
Na manhã seguinte, o céu estava limpo.
Quase irónico.
Como se a cidade tivesse decidido ignorar completamente o que estava para acontecer.
O escritório do advogado ficava em um antigo prédio no centro.
Clássico.
Discreto.
Mas carregado de poder.
Quando entrei ao lado do Alejandro, já estavam todos lá.
O meu pai.
Veronica.
Os meus “tios”.
Primos
E quando me viram…
O silêncio voltou.
Mas já não era o mesmo silêncio de antes.
Agora havia tensão.
Expectativa.
E outra coisa…
Medo.
O advogado — Dr. Ram Extraterrez-ajustou os óculos e limpou a garganta.
– Vamos começar.
Ele abriu o documento lentamente.
O som do jornal ecoou como um prenúncio.
– “Eu, Alejandro Herrera, em pleno uso das minhas faculdades mentais…”
A leitura começou formalmente.
Frio.
Distribuições.
Empresas.
Imobiliário.
Contas.
Tudo dividido precisamente.
Estratégico.
Como o homem que sempre foi.
Mas então…
O advogado parou.
Ele virou a página.
Ele respirou fundo.
E ele olhou diretamente para mim.
“Há, no entanto, uma cláusula final.”
Toda a sala prendeu a respiração.
– “À minha neta, Camila Herrera…”
O nome ecoou como um trovão.
Não desviei o olhar.
– “…o único que, mesmo sem reconhecimento, permaneceu. O único que nunca pediu nada … e, no entanto, ela nunca deixou de estar lá.”
Senti algo a apertar-me no peito.
Mas não foi dor.
Foi … verdade.
– “Para ela, deixo não apenas bens materiais… mas controlo total da Fundação Herrera e 51% das acções do Grupo Herrera.”
O silêncio era absoluto.
Total.
Irreal.
